Histórico

Histórico

Artigo dobre a História do Seminário da Prainha, fundado em 18 de outubro de 1864 – Seminário da Prainha

Decreto de Instituição da FCF pelo Arcebispo de Fortaleza e Chanceler, Dom José Antônio Aparecido Tosi Marques – Decreto

SOBRE O DECRETO DE INSTITUIÇÃO DA FACULDADE CATÓLICA DE FORTALEZA – FCF / agosto de 2009

“É no contexto da procura abnegada da verdade que recebe luz e significado a relação entre fé e razão. Intellige ut credas; crede ut intelligas’ (S. Agostinho, Serm. 43,9) […] Que o esforço conjunto da inteligência e da fé consinta aos homens alcançar a medida plena da sua humanidade, criada à imagem e semelhança de Deus…”
(João Paulo II, Ex Corde Ecclesiae, nº. 5)

A vinte e oito de agosto de 2009, – memória litúrgica de S. Agostinho, Bispo e Doutor da Igreja, – o Sr. Arcebispo de Fortaleza, Dom José Antônio Aparecido Tosi Marques, criava, por Decreto Arquidiocesano (cf. anexo) a Faculdade Católica de Fortaleza, motivo de profundo júbilo de toda a nossa comunidade acadêmica. Em seguida – mais cedo do que o esperado – o Ministério da Educação e Cultura , pela Portaria nº. 1.746, de 22 de dezembro do mesmo ano, publicada no DOU do dia 24 subsequente, reconhecia a nossa Faculdade e declarava extintos tanto o Instituto de Ciências Religiosas (ICRE) quanto o Instituto Teológico-Pastoral do Ceará (ITEP). Damos, portanto, por terminadas e legadas já a nossa história as atividades de nossos beneméritos Institutos no desempenho de sua nobre missão, fundidos que foram na Faculdade Católica de Fortaleza. Nesta breve abertura ao Guia Acadêmico de 2010 convém, pois, ainda uma vez, num olhar retrospectivo recordar os momentos históricos que marcaram nossa caminhada.

O decreto de criação, canônica e civilmente promulgado e reconhecido, vem colimar um desideratum concebido e proposto no momento mesmo em que D. José de Medeiros Delgado, então Arcebispo de Fortaleza, e os demais Bispos do Ceará, em novembro de 1966 , fecharam o centenário Seminário Provincial de Fortaleza, fundado que fora a 18 de outubro de 1864 pelo primeiro Bispo do Ceará, Dom Luiz Antônio dos Santos. Ato contínuo, ressurgiu ele por força do Decreto 15 da Arquidiocese, de 2 de fevereiro de 1967, que inaugurava “o Instituto Superior de Cultura Religiosa (ISCRE), como sucessor do Seminário da Prainha, com finalidade de servir a todo o povo de Deus…, aberto aos candidatos ao sacerdócio, a religiosos e leigos” (ibi). – São as novas auras sopradas pelo Concílio Vaticano II. – Este voto, em parte alcançado, a 19 de março de 1973, com a inauguração da Faculdade de Filosofia de Fortaleza (FAFIFOR) e a reabertura do Curso Maior Teológico do Seminário, veio no entanto a sofrer revezes. De fato, a primitiva unidade do Instituto foi rompida em janeiro de 1983, pela separação do curso dos leigos, com o nome de Instituto de Ciências Religiosas – ICRE – e do curso seminarístico, tornando-se este último, por determinação dos Srs. Bispos do Ceará, a 27 de fevereiro de 1985, no Instituto Teológico-Pastoral do Ceará (ITEP); um ulterior retrocesso se deu com o fechamento da FAFIFOR em 1988. Mas, com renovada esperança, o projeto inicial retorna, graças à nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases), de 1996, quando a 22 de fevereiro de 2002 são credenciados pelo MEC os dois Institutos, o ITEP e o ICRE, e seus respectivos cursos de Teologia autorizados; os referidos cursos serão posteriormente reconhecidos, em 2006 e 2007. E agora finalmente, nesse Natal de 2009, o sonho de Dom Delgado concretiza-se plenamente pela aprovação oficial da nova Faculdade Católica de Fortaleza, com a conseqüente extinção dos dois Institutos.

Grandes desafios, contudo, nos têm sido postos nestes últimos anos. Os Institutos se comportaram diante deles com muita firmeza e cautela. Não convinha apressar o passo, mas caminhar com segurança. É com este mesmo espírito que encaramos o momento atual e seus problemas: continuar a consolidação dos cursos atuais, por exemplo, o Curso de Bacharelado em Filosofia que deixou de ser um curso predominantemente voltado para a formação dos presbíteros para ser um espaço de reflexão filosófica, de formação da consciência crítica e do exercício da cidadania aberto à comunidade, e projetar novos cursos que possam ajudar a amadurecer a identidade acadêmica; fortalecer a presença da Faculdade Católica no campo da produção científica e na área da pós-graduação com os cursos de especialização lato sensu já oferecidos e o Mestrado Profissional em Teologia que está sendo preparado; expandir a sua contribuição para a ação pastoral da Igreja, incentivando os trabalhos de extensão universitária, especialmente a partir da implantação dos Centros de Terapia e Apoio à Família (CEFAM), com a possível cooperação das dioceses alemãs de Rottenburg-Stuttgart e Colônia. Desafios, por fim, que se propõem à prudência e ao espírito empreendedor da próxima equipe de direção da faculdade e seus colaboradores, quais sejam: firmar a estabilidade financeira da instituição; concluir as reformas das estruturas do prédio, com ou sem o apoio do governo; fazer e/ou reabrir convênios de colaboração mútua com as Universidades de Fortaleza; igualmente, com a Fundação Demócrito Rocha (FDR); se possível, reencetar o diálogo com os demais membros da Rede das Escolas Católicas de Ensino Superior (RECENS); sobretudo, internamente, empenhar-se em congraçar os ânimos de quantos fazemos a Faculdade Católica de Fortaleza , para que, “crescendo unidos, possamos trabalhar em comum, o que importará em tornarmo-nos mais capazes de refletir a unidade da Igreja” (Dom José Delgado, Decreto 15 da Arquidiocese – Apêndice I).

Reitero meus agradecimentos aos Pe.s Edilberto Reis e Pietro Sartorel, Diretor Acadêmico e Diretor Financeiro, respectivamente, às diversas Coordenadorias, a todo o corpo docente, bem como às secretárias e demais funcionários pelo profícuo trabalho desenvolvido até agora, particularmente nestes quase dois anos de interinidade da equipe de direção da Faculdade.
Assinalo, por fim, com pesar o falecimento, na França, no ano passado, do Pe. Daniel Jouffe, operário da primeira hora, nos idos dos anos 60, como membro da equipe encarregada da fundação do novo Instituto. Que o Senhor, justo juiz, lhe conceda a merecida coroa de glória.

Fortaleza, 6 de abril de 2010

Mons. Francisco Manfredo Thomaz Ramos
Diretor Emérito da FCF e Pesquisador