Venezuela: suspender a constituinte e respeitar os direitos humanos

Diante da grave situação que a Venezuela vive, a Santa Sé se pronunciou nesta sexta-feira, para pedir ao governo de Nicolás Maduro que suspenda a Assembleia Constituinte, porque esta não favorece a reconciliação e a paz, mas fomentará mais a tensão e os enfrentamentos que provocaram a morte de mais de 120 pessoas.

Além disso, “a Santa Sé pede a todos os atores políticos, especialmente ao Governo, que garanta o pleno respeito pelos direitos humanos e as liberdades fundamentais, assim como da Constituição em vigor”.

A seguir, o texto completo do comunicado:

A Santa Sé manifesta de novo a sua profunda preocupação pela radicalização e o agravamento da crise na República Bolivariana da Venezuela, pelo aumento do número de mortos, feridos e presos. O Santo Padre, diretamente e através da Secretaria de Estado, segue de perto esta situação e as suas implicações humanas, sociais, políticas, econômicas e inclusivamente espirituais. Do mesmo modo, garante a sua oração constante pelo país e por todos os venezuelanos, e também convida os fiéis em todo o mundo a rezar intensamente por esta intenção.

Ao mesmo tempo, a Santa Sé pede a todos os atores políticos, especialmente ao Governo, que garanta o pleno respeito pelos direitos humanos e as liberdades fundamentais, assim como pela Constituição em vigor; evitem ou suspendam as iniciativas em curso, como a nova Constituinte, por considerar que mais do que favorecer a reconciliação e a paz, fomentam um clima de tensão e confronto e hipotecam o futuro; criem as condições para uma solução negociada de acordo com as indicações expressas na carta da Secretaria de Estado no dia 1º de dezembro de 2016, levando em consideração o grave sofrimento do povo que enfrenta dificuldades para obter alimentos e medicamentos, assim como a falta de segurança.

A Santa Sé dirige, finalmente, um apelo urgente a toda a sociedade contra todas as formas de violência, convidando, especialmente as forças de segurança a abster-se do uso excessivo e desproporcionado da força.

Fonte: ACI – VATICANO, 04 Ago. 17 – Por Álvaro de Juana