Natal: abramo-nos à Luz

“O que diz respeito a Ele nunca parece uma questão urgente. O nosso tempo já está completamente preenchido”

Celebramos o Natal, lembramos o nascimento de Jesus Cristo em Belém, na simplicidade e pobreza de um estábulo e na companhia de poucos. Celebramos o Natal sóbrio e escondido de Deus feito homem, em uma criança indefesa, mas plena de vida. Mesmo assim, celebramos Natal como festa da Luz, “a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo” (Jo1,9).

Em tempos difíceis, nos quais se sobressaem violência, guerras, fome, indiferença, corrupção; em tempos movidos pelo status, consumismo, busca do prazer pelo prazer, o Natal lembra que Jesus “chama-nos a um comportamento sóbrio, simples, equilibrado, linear, capaz de individuar e viver o essencial” (Francisco, 24/12/2015).

Numa época de frenesi, o Natal chama cada pessoa parar um pouco, deixar-se iluminar por aquela Luz que um dia entrou no mundo e é capaz de transformar vidas, assim encontre lugar na hospedaria de cada coração. E, “inevitavelmente se põe a questão de saber como reagiria eu, se Maria e José batessem à minha porta. Haveria lugar para eles? (…) Temos verdadeiramente lugar para Deus, quando Ele tenta entrar em nós? (…) O que diz respeito a Ele nunca parece uma questão urgente. O nosso tempo já está completamente preenchido” (Bento XVI, 24/12/2012).

É tempo de abrir as portas, e “ninguém pode ignorar que, para acolher o Menino Jesus, basta ser uma pessoa de boa vontade” (S. Padre Pio). É preciso deixar a Luz entrar para nos iluminar, e sermos nós iluminadores, pois “veio para curar os olhos do nosso interior, para que nós, que antes éramos escuridão, nos convertêssemos em luz no Senhor. E assim, ao olhar para ela, pudéssemos resplandecer em toda a sua claridade” (Sto. Agostinho, Ser 195,3).

Pe. Rafhael Silva Maciel
Reitor do Seminário Propedêutico da Arquidiocese de Fortaleza e Missionário da Misericórdia 

Publicado no Jornal O Povo (Opinião), Fortaleza, 24 de dezembro de 2016.