Vida e Morte em Setembro

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS),
o suicídio é considerado um grave problema de saúde pública

O mês de setembro passa cada vez mais a ser lembrado como o mês internacional de prevenção ao suicídio, oportunizando reflexões pertinentes aos temas de vida e morte. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio é considerado um grave problema de saúde pública. Estima-se que em 2020 o suicídio alcance uma porcentagem de 2,4% do total de mortes de seres humanos no mundo. Além disso, a OMS registra suicídios de crianças com cinco anos. São números e informações impactantes, que sinalizam a necessária atenção a esse problema.

No ano de 2013, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) publicou uma interessante obra, intitulada “Suicídio e os Desafios para a Psicologia”, em que a psicóloga uruguaia Blanca Susana Werlang, doutora em Saúde Mental pela Universidade Estadual de Campinas, enfatizava que as prevenções das ações suicidas podem iniciar na família, desde que o tema morte seja algo possível de ser dialogado com as crianças, compreendendo que terão recursos psíquicos para conversarem sobre o assunto.

Além disso, as escolas podem trabalhar temas de valorização da vida e também desenvolver programas psicoeducativos, de modo a prepararem as crianças para situações de adversidades.

Podemos observar intolerâncias às expressões de tristezas, falhas ou insucessos, em contextos nos quais se multiplicam mensagens de que a felicidade será alcançada por meio da aquisição de determinados produtos ou serviços. Nem todos conseguirão seguir essas imposições, emergindo, assim, sentimentos de incapacidades e refúgios na depressão, por vezes se precipitando em ato suicida.

Nesse contexto, crianças e jovens, desde cedo, sofrem pressões para que reproduzam padrões impositivos de felicidade e obrigações de sucesso. No entanto, enquanto seres humanos, somos amplamente diversos. O elevado índice de suicídio na população LGBTS demonstra a urgente necessidade de conscientização de que as posturas excludentes são geradoras de desgastes agudos à saúde mental.

Estudos indicam que, quanto maior a frequência com que a pessoa experimente acontecimentos que considere geradores de impactos bastante negativos, maior o risco de desenvolver depressão e, consequentemente, de estar em risco de suicídio. Relevante que haja espaços para que possamos olhar e percebermos esses impactos considerados imensamente negativos, de modo que possam ser atribuídos significados à existência, em todos os meses do ano.

Márcio Gondim – Mestre em Psicologia; coordenador acadêmico do Curso de Psicologia na DeVry | Fanor
Contato do Autor: mgondim@fanor.edu.br

Fonte: Publicado no Jornal O povo (Opinião), Fortaleza, 15 de setembro de 2016.

SERVIÇO:

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Em comunhão com o “Setembro de Combate ao Suicídio”, a Faculdade Católica de Fortaleza-FCF realiza debate sobre o sentido da vida, apontando luzes para a prevenção e a educação
Conferencistas:
Prof. Dr. Thiago Antonio Avellar de Aquino e Profa. Ms. Tatiana Oliveira de Carvalho
SEXTA-FEIRA, 16 DE SETEMBRO,  das 18h30 às 21h30.
Local: Miniauditório da FCF – Rua Tenente Benévolo, 201 – Centro.
Mais informações: (85) 3453.2150
Inscrições no Local: R$ 10,00
(Certificado).