Palavras do Pe. Almir Magalhães – 150 anos do Seminário da Prainha

As primeiras palavras são de agradecimento ao nosso Deus pelo privilégio histórico de estar participando das solenidades que marcam os 150 anos desta Casa.

A determinação, o trabalho e a fé de todos os que estiveram à frente desta histórica Instituição, transformaram-na em uma das mais importantes e tradicionais instituições religiosas e formativas de nosso país.

6 de Junho de 1854 – Criação da Diocese do Ceará através da Bula PRO ANIMARUM SALUTE do Papa Pio IX e que teve como fruto primeiro e muito especial desta Igreja, dez anos depois, em 18 de outubro de 1864, a ereção do Seminário Episcopal do Ceará, conhecido como “Seminário da Prainha”.

A estrutura física do Seminário da Prainha abriga hoje a Cúria Arquidiocesana, a Escola de Pastoral Catequética e a Faculdade Católica de Fortaleza, todos a serviço do processo de evangelização da Arquidiocese de Fortaleza. O Seminário da Prainha abrigou e formou por muito tempo o clero não só da Arquidiocese de Fortaleza, mas do Ceará, Piauí e Maranhão.

Impossível falar desta Instituição sesquicentenária sem fazer alusão ao que ela representou e representa para a Igreja do Brasil, pelo bem que fez e continua fazendo para a intelectualidade cearense e de outros lugares do nordeste, já que, como afirmei, abrigou e formou muito tempo não só o clero da Arquidiocese de Fortaleza, mas do Ceará, Piauí e do Maranhão. Via de regra, há um nível de hostilidade contra a Igreja Católica; parte do mundo acadêmico e também escolar, faz avaliações reducionistas a respeito da presença da Igreja no mundo, esquecendo-se, como é o caso, do que ela produziu em todas as dimensões da vida, a contribuição para a sociedade.

Nosso professor Edilberto Reis, citando o historiador cearense Raimundo Girão, expressa muito bem este registro ao afirmar: “O álbum comemorativo dos 50 anos do Seminário da Prainha não poupa adjetivos para qualificar os frutos de sua existência. Para o autor do Álbum era claro como o dia. Bastava olhar para o lastimável estado em que se encontrava o clero cearense antes da criação da diocese e, por conseguinte, do mesmo seminário e ver o que se passava cinqüenta anos depois: em lugar de um clero escasso, um celeiro de vocações. Eram tantas que dava perfeitamente para exportar. A lista de padres cearenses, atuando fora do estado, é cuidadosamente enumerada como prova cabal disto, Além do mais, como se não bastasse o número de padres, o seminário ostentava orgulhosamente, já nas duas primeiras décadas do século XX, uma galeria de eminentíssimos membros do episcopado nacional. Havia entre eles até mesmo um arcebispo primaz. Com o passar dos anos, essa galeria cresceria mais ainda e daria à Prainha o glorioso título de Celeiro de Bispos da Igreja nacional. No lugar dos padres com pouquíssima formação intelectual, encontrados por D.Luiz, o Álbum, orgulhosamente apresentava a sua galeria de padres doutores. Mas isto não era só. Além dos padres doutores, o seminário se orgulhava de ser o berço da elite intelectual Cearense. Até hoje, os discursos que lembram saudosamente o que alguns chamam de era de ouro do seminário da Prainha, não podem deixar de lembrar que boa parte da elite intelectual do Ceará e mesmo de estados vizinhos, passaram pelos seus bancos”. (Revista Kairós n. 1-2 – janeiro-dezembro de 2004, PP. 33-34).

Na atualidade o papel de produção da intelectualidade é vivenciado em várias fontes. Entretanto continuamos com o papel importante e um compromisso diante da história.

Chegando ao nosso tempo, cumpre-nos afirmar que enfrentamos hoje alguns desafios que estão para além das nossas energias e da própria missão. O primeiro grande desafio diz respeito ao EIXO DA FORMAÇÃO –  segundo as diretrizes para a formação este eixo é o pastoral, o que significa dizer que tudo deve convergir, ter como horizonte a missão da Igreja, sua ação pastoral e evangelizadora. O referencial para alcançar os objetivos vamos encontrar no magistério da Igreja. Por quê não pensar nos dois últimos documentos produzidos pela CNBB – 94 – Diretrizes com as suas cinco urgências? e para nós da Arquidiocese de Fortaleza o nosso Plano de pastoral em perfeita sintonia com as Diretrizes. Totalmente ligado a uma das urgências o outro documento – n. 100 – COMUNIDADE DE COMUNIDADES: Uma nova paróquia – a conversão pastoral da paróquia, a fim de que nossas paróquias possam se estruturar de forma comunitária, com fundamento trinitário e de tamanho humano. Por fim, esta pérola de orientação pastoral que é a EVANGELII GAUDIUM do Papa Francisco. Quais são os limites que encontramos dentro deste primeiro desafio? Muito prático e se dá por conta do mundo plural que vivemos – sem dúvidas a diversidade é uma riqueza e, do ponto de vista teológico é a expressão de uma Igreja pneumatológica que respalda a pluralidade mas que aponta para a UNIDADE, A COMUNHÃO, A ECLESIALIDADE. Muitos têm a compreensão equivocada de que o pluralismo justifica se fazer cada um a seu modo. Sem a busca da unidade o que acontece é um paralelismo inaceitável. Aqui vale a pena citar o Papa Francisco: “A Pastoral em chave missionária exige o abandono deste cômodo critério pastoral: < Fez-se sempre assim > (EG nº 33).

Na academia o limite é o da interdisciplinaridade, nem sempre conseguimos nas diversas disciplinas apontar para o horizonte pastoral. O outro limite e que foge da nossa esfera é que os documentos de cunho pastoral tem a vocação para a GAVETA.

O segundo grande desafio é como tornar atrativo um Curso de Bacharelado de Filosofia e Teologia para um público alvo além dos seminaristas. Aqui poderíamos ter uma grande colaboração das Paróquias, verdadeiras responsáveis pela formação de seus Agentes de Pastoral. Nesta perspectiva estamos procurando abrir novos caminhos com a inclusão de novos cursos e para isto temos a experiência e a parceria da UNICAP.

Na programação estaremos homenageando na quinta-feira (dia 23) professores remanescentes e ex-alunos. É o elo que nos faz afirmar a ligação com a história da casa.

Ao finalizar nossos agradecimentos desde o primeiro bispo do Ceará – Dom Luis Antonio dos Santos que no início acumulou a função de Reitor do Seminário e o Padre Pedro Augusto Chevalier (Lazarista) – 1º Reitor até o Núcleo Gestor atual, que tenho a honra de dirigir, evidentemente passando por todos os que dirigiram este Seminário e de tantos anônimos que colaboraram e colaboram para a sua eficaz continuidade.

Que a celebração deste sesquicentenário seja de um lado o reconhecimento da história e de outro a responsabilidade na construção do futuro que faça jus à memória desta casa. Agradeço a Deus, e isto modestamente me orgulha, por estar à frente da FCF neste momento de graça para a Igreja do Brasil, especialmente de Fortaleza e que Nossa Senhora de Nazaré continue conosco.

 Agradeço a Dom José Antonio Aparecido Tosi Marques todo o apoio que tem dispensado a esta Instituição.

Muito Obrigado.

Pe. Antonio Almir Magalhães de Oliveira

Prof. Ms. Pe. Antonio Almir Magalhães de Oliveira, Diretor Geral da Faculdade Católica de Fortaleza – FCF – Palavras proferidas à Assembleia presente no Auditório Central Aloísio Cardeal Lorscheider, na noite de 21 de outubro de 2014, por ocasião da abertura das Solenidades comemorativas ao Sesquicentenário de Fundação do Seminário da Prainha.